Por dentro de Altamira: curiosidades que celebram 114 anos de história do maior município do Brasil

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Altamira celebra, neste 6 de novembro, 114 anos de emancipação política. Situada no Vale do Xingu, Altamira pertence à Mesorregião do Sudoeste Paraense e é reconhecida pela grandiosidade territorial, diversidade cultural e pela contribuição histórica para o desenvolvimento da região Norte do Brasil.

A cidade foi oficialmente criada pela Lei Estadual nº 1.234, de 6 de novembro de 1911, quando se emancipou do município de Souzel, marcando o início de uma nova fase administrativa e social.

Com uma área total de 159.533,328 km², Altamira é o maior município do Brasil e o terceiro maior do mundo em extensão territorial, superando o tamanho de 104 países. Segundo o IBGE, a população estimada em 2025 é de 138.749 habitantes, número que vem crescendo significativamente nas últimas décadas.

Altamira está localizada na margem esquerda do Rio Xingu, pouco acima da grande volta do rio, entre os igarapés Ambé e Panelas, cortada pelo igarapé Altamira, o que torna sua paisagem naturalmente privilegiada.

É um território rico em águas, com dezenas de cursos hídricos e uma biodiversidade exuberante. Sua posição geográfica fez da cidade um ponto de conexão essencial, atraindo moradores, comerciantes e viajantes de diversas regiões.

Hoje, Altamira é composta por mais de 60 bairros que formam o núcleo urbano de uma cidade viva e em constante expansão. Além disso, o município possui dois distritos localizados a mais de mil quilômetros da sede, Castelo de Sonhos e Cachoeira da Serra, além das comunidades Vila Canopus e Vila Cabocla, o que demonstra a dimensão continental do território altamirense.

Altamira faz divisa com 13 municípios, formando uma rede territorial estratégica que conecta o Xingu a outras regiões do Pará.

A história da ocupação de Altamira remonta ao século XVIII. Por volta de 1750, missões jesuíticas já se estabeleciam às margens do Rio Xingu com o objetivo de evangelizar os povos indígenas e fundar pequenas comunidades.

Esse movimento missionário foi determinante para o surgimento dos primeiros núcleos populacionais. Mais tarde, migrantes nordestinos, especialmente do Maranhão, Ceará e Piauí, chegaram à região fugindo das secas e em busca de novas oportunidades nas florestas e nos rios da Amazônia.

Esses pioneiros trouxeram consigo saberes tradicionais, costumes e a força de um povo acostumado a vencer desafios — elementos que moldaram a identidade altamirense.

O primeiro registro oficial da existência de Altamira data de 14 de abril de 1874, quando foi criado o município de Souzel, do qual Altamira fazia parte até se tornar independente em 1911. A economia do novo município se consolidou inicialmente na extração da borracha, produto que colocou a Amazônia no centro do comércio mundial no início do século XX. Ao lado dela, a castanha-do-pará e a pecuária fortaleceram a base econômica local, assim como a agricultura, com destaque para o cultivo de arroz, feijão, cacau, milho e pimenta-do-reino.

Na década de 1970, Altamira ganhou projeção nacional com o início da construção da Rodovia Transamazônica (BR-230), que teve seu marco zero implantado no município pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici. A estrada simbolizou o projeto de “integração nacional” e atraiu milhares de famílias de diferentes regiões do Brasil, dando início a um novo ciclo de crescimento populacional e econômico.

Esse período marcou o início da urbanização moderna de Altamira, com a abertura de bairros, escolas e comércio, transformando a cidade no polo da região Xingu.

Com o passar dos anos, Altamira consolidou-se como referência em infraestrutura, agropecuária, produção de alimentos e preservação ambiental. O município é também terra dos povos originários, abrigando dezenas de etnias indígenas e vastas áreas de reservas extrativistas, parques nacionais e estações ecológicas.

Altamira é um verdadeiro paraíso natural. Banhada pelo Rio Xingu, a cidade é cercada por igarapés, praias de água doce e cachoeiras que atraem visitantes de várias partes do país, principalmente durante o verão amazônico, quando o nível do rio baixa e revela extensas faixas de areia dourada.

O setor turístico de Altamira não se destaca apenas pelas belezas naturais, mas também pelos monumentos. Como o Monumento Indígena, a Pira Olímpica, o Memorial dos Pioneiros e o Monumento da Integração Nacional.

Mas a vocação turística de Altamira vai muito além de monumentos. A cidade é a capital dos grandes eventos na região Xingu. Destaque para o Altafolia, o Festival Internacional do Chocolate e Cacau, o Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu e a Feira de Exposição Agropecuária de Altamira.

Hoje, aos 114 anos, Altamira é uma cidade que se orgulha de sua trajetória. Um território de dimensões continentais e de um povo de coração gigante, que trabalha, acredita e faz da cidade um símbolo de desenvolvimento.

Altamira é uma história viva, feita de fé, coragem e amor pela terra. Uma cidade que nasceu às margens do Xingu e cresceu com o Brasil, levando consigo o espírito de quem nunca desiste.

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