O sabor do chocolate que toma conta do Chocolat Xingu 2025 carrega mais que açúcar e cacau: traz também histórias de vida, tradição familiar, resistência cultural e empreendedorismo que estão transformando a realidade dos produtores altamirenses.
O evento, que se tornou vitrine nacional e internacional para os sabores da região, tem impressionado os expositores com o sucesso de vendas e a receptividade calorosa do público.
Marilene de Jesus: a força de uma mulher Xipaia que adoça com identidade
Entre os destaques do festival está Marilene de Jesus, indígena da etnia Xipaia e moradora do bairro Bela Vista, em Altamira. Dona Marilene é proprietária da marca ‘Nasusu’, que significa borboleta na língua de seu povo — um símbolo perfeito para representar a leveza e a transformação que ela trouxe para sua vida e para o mercado altamirense.
Há cinco anos, ela decidiu empreender com chocolates e bombons que carregam sabores amazônicos. No Chocolat Xingu, tem encantado os visitantes com trufas de cupuaçu, amendoim, coco e limão, além da famosa cocadinha de chocolate puro e barrinhas com chocolate 100% cacau.
“Eu achei esse festival maravilhoso. É grandioso. Os turistas estão amando. E graças a Deus, as vendas estão muito boas. Todo ano estou firme e forte nas feiras”, celebrou. Para Marilene, cada bombom vendido é uma forma de afirmar suas raízes e mostrar ao mundo o potencial dos povos originários.
Cláudio Aquino: do coração da lavoura cacaueira para o mundo
No ramal Cajá II, na Gleba Assurini, zona rural de Altamira, nasceu Cláudio Aquino, criador da marca ‘Assurini Cacau’. Filho da roça, ele cresceu entre as árvores de cacau e transformou o que era uma tradição familiar em um projeto ambicioso: levar chocolates, licores e geleias com sabores amazônicos para o mundo inteiro.
Atualmente, Cláudio já tem 12 produtos registrados, mas seu plano é ousado: “Daqui cinco anos quero estar com 60 produtos prontos para entregar pro mundo todo”, contou. Entre as delícias que trouxe para o festival, destacam-se o chocolate branco com cumaru, o chocolate 70% cacau e os coquetéis de cupuaçu e cumaru — este último, um sucesso absoluto que se esgotou rapidamente.
“Eu sou um homem que nasceu dentro da lavoura cacaueira. A árvore que eu plantei é a mesma que me sustenta hoje. Eu vejo esse festival como uma oportunidade enorme. O público de Altamira é diferente: eles se preparam e guardam dinheiro pra comprar aqui. Graças a Deus, já consegui pagar todas as despesas e ainda saí com lucro. Ano que vem quero estar com todos os produtos prontos”, disse.
Gilson Arruda: o legado do mel que conquistou o chocolate
No ramal São Francisco, também na zona rural de Altamira, o apicultor Gilson Arruda dos Santos mantém vivo o legado familiar iniciado por seu pai em 1995. A criação de abelhas começou como um pequeno projeto, mas ganhou força quando Gilson, já formado técnico em agropecuária, enxergou na apicultura uma oportunidade real de crescimento.
Começou com apenas quatro colmeias e hoje comanda um apiário robusto, o ‘Puro Néctar’, que pode produzir até 2,5 toneladas de mel por ano. No festival, tem conquistado o público com mel em favo, licores, sabonetes e mel compostos que conquistaram até os produtores de chocolate. “Já tem gente comprando meu mel para misturar nas receitas de chocolate”, contou orgulhoso.
Para Gilson, o Chocolat Xingu vai além das vendas: é um espaço de aprendizado, visibilidade e conexão com novos mercados. “É o terceiro festival que participo e só cresce. Além de valorizar o cacau, o evento fortalece a economia e abre espaço para produtos como o mel. Já recebi propostas para fornecer para outros municípios”, comemorou.
O Chocolat Xingu 2025 é uma realização da Prefeitura de Altamira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) e da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), em parceria com o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap) e com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau). A organização é da MVU Promoções e Eventos, idealizadora do Chocolat Festival.
O evento conta ainda com a parceria do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e com o apoio da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Sistema Faepa/Senar, da Secretaria da Agricultura Familiar do Pará, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Governo Federal.





