Encerrou nesta sexta-feira (4) a programação da Oficina de Mobilização e Planejamento Climático Municipal, realizada em Altamira como parte do processo de elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC). A iniciativa integra o Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas e busca preparar o município para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Durante os dois dias de atividades, representantes do poder público, instituições e parceiros analisaram dados sobre emissões de gases de efeito estufa, riscos e vulnerabilidades climáticas, compartilharam experiências e discutiram medidas que poderão orientar as políticas públicas do município nos próximos anos.
Entre os desafios considerados no planejamento estão períodos prolongados de seca, altas temperaturas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos, que podem gerar impactos para a população, infraestrutura, serviços públicos e diferentes atividades desenvolvidas no território.
Um dos pontos que orientaram as discussões foi a pergunta “Qual Altamira queremos ver e viver em 2050?”. A partir dela, os participantes contribuíram para a construção de uma visão de futuro e para a identificação de ações de curto, médio e longo prazo.
Para o secretário municipal da Gestão do Meio Ambiente, Rafael Oliveira, a participação de diferentes setores é fundamental para que o plano considere as particularidades de Altamira.
“O Plano Local de Ação Climática é um instrumento importantíssimo para Altamira. Estamos contando com a participação de vários atores, instituições e órgãos, que trazem suas experiências e vivências para construirmos, a curto, médio e longo prazo, o nosso planejamento climático. A proposta é garantir uma cidade cada vez mais resiliente, próspera e sustentável para todos os habitantes de Altamira”, afirmou.
Dados vão orientar prioridades
A elaboração do PLAC considera informações sobre as fontes de emissão de gases de efeito estufa e os riscos climáticos identificados no município. Os dados vão ajudar na definição das áreas que demandam maior atenção e das medidas que poderão ser adotadas para reduzir impactos e ampliar a capacidade de adaptação de Altamira.
Para Belén Jiménez, Gerente Sênior de Engajamento do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM) entender as vulnerabilidades locais é uma etapa importante para direcionar as ações do município.
“A implementação de políticas públicas voltadas à agenda climática permite aprofundar os estudos e compreender os resultados alcançados. É fundamental fortalecer continuamente as capacidades locais e preparar o município para os desafios climáticos. Esse processo exige planejamento, conhecimento e responsabilidade em cada etapa”, destacou.
Durante a programação, também foram apresentadas ações consideradas de alto impacto para Altamira. As propostas foram debatidas e priorizadas pelos participantes e deverão ser aprofundadas nas próximas etapas de construção do plano.
O prefeito Loredan Mello destacou que o planejamento permitirá transformar os diagnósticos em ações voltadas ao futuro do município.
“Altamira tem a oportunidade de planejar seu futuro olhando para os desafios que as mudanças climáticas trazem, mas também para as oportunidades de construir uma cidade melhor para a nossa população. O Plano Climático nos ajuda a entender onde precisamos avançar e a transformar esse conhecimento em prioridades e ações que façam sentido para a realidade do município”, ressaltou.
Diversidade do território integra discussões
A programação também debateu como os impactos das mudanças climáticas atingem diferentes grupos e territórios. As discussões consideraram as realidades de povos indígenas, comunidades tradicionais, grupos historicamente marginalizados e áreas mais vulneráveis, para que essas particularidades sejam consideradas nas futuras ações do PLAC.
Uma visita técnica indicada pela Secretaria Municipal da Gestão do Meio Ambiente (SEMMA) complementou as atividades e permitiu aproximar as discussões realizadas durante a oficina das condições observadas no território.
A construção do Plano Local de Ação Climática conta com apoio do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas, que reúne C40 Cities, Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM), Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) e ICLEI América do Sul.
A iniciativa apoia mais de 50 municípios e estados brasileiros na estruturação de projetos relacionados a planejamento climático, gestão de resíduos, mobilidade sustentável e financiamento.
Com o encerramento da oficina, o processo entra agora em uma nova fase, destinada ao detalhamento das ações e à definição das prioridades que deverão compor o Plano Local de Ação Climática de Altamira.
A proposta é que o PLAC seja utilizado como instrumento para orientar decisões e políticas públicas, integrando planejamento, sustentabilidade e adaptação climática e preparando Altamira para os desafios ambientais das próximas décadas.



