Melhor chef do mundo surpreende o público ao criar receitas salgadas com chocolate no Chocolat Xingu

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O Cozinha Show, uma das atrações mais prestigiadas do Chocolat Xingu 2025, se transformou em palco de inovação e provocação gastronômica neste sábado, 28 de junho. Entre os grandes nomes que passaram pelo evento, o destaque absoluto foi a participação da chef Janaína Torres — eleita a melhor chef do mundo em 2024 e reconhecida como a melhor chef mulher da América Latina em 2023.

Janaína foi eleita a melhor chef do mundo em 2024.

A brasileira, que construiu uma carreira internacional de sucesso, surpreendeu o público com sua autenticidade, criatividade e, principalmente, com a paixão declarada pelos ingredientes amazônicos. “Estar aqui, no meu país, falando de um ingrediente que é nosso, no meu idioma, é algo extremamente gratificante. Eu venho de uma jornada longa cozinhando na Europa e voltar para o Brasil nesse contexto foi um presente. Não poderia ser melhor”, declarou.

Chocolate além do doce: um convite à reflexão

Janaína surpreendeu ao apresentar receitas salgadas usando o cacau como protagonista — uma proposta que provocou os sentidos e a mentalidade do público. “Eu escolhi fazer uma pele de porco frita, um torresminho, temperado com cacau 100% em pó. Substituí os temperos tradicionais pelo cacau e finalizei com um toque especial. As pessoas experimentaram o torresmo com cacau e ficaram intrigadas”, contou.

Mas a ousadia não parou por aí. A chef também criou uma versão com tucupi e chocolate, harmonizando dois ícones da gastronomia amazônica com a carne de porco, conhecida por sua versatilidade. “Queria que as pessoas percebessem que o cacau não precisa ser só um ingrediente para sobremesas. Ele pode — e deve — ganhar espaço nos pratos salgados. Acho que plantei uma sementinha de curiosidade e provoquei as pessoas a enxergarem o cacau de uma forma diferente”, refletiu.

O sucesso das combinações inovadoras ficou evidente no entusiasmo do público que lotou o espaço e aplaudiu cada preparo. “As pessoas entenderam, se abriram para a experiência, e gostaram muito. Eu me sinto feliz e com a missão cumprida”, completou Janaína.

Público aprovou as inações preparadas por Janaína.

Conexão com os produtores e a Amazônia

Além da vivência culinária, a chef destacou que o festival proporcionou algo ainda mais valioso: o contato direto com os produtores locais. “Essa é, sem dúvida, a melhor parte. Pude conversar com produtores de várias regiões, conhecer suas histórias e entender os processos. Isso é algo que otimiza o nosso tempo e enriquece muito mais a nossa visão sobre o ingrediente”, afirmou.

Encantada com a diversidade e a força cultural da região Xingu, Janaína reforçou a importância de eventos como o Chocolat Xingu para a valorização dos produtos amazônicos. “Que venham muitos outros festivais, muitos encontros como esse. É essencial que a gente perpetue essas conexões e continue ampliando a conversa não só sobre o cacau, mas sobre o universo dos teobromas, que inclui também o cupuaçu, o macambo e tantas outras riquezas da nossa Amazônia.”

Com uma despedida cheia de gratidão e um desejo de permanecer mais tempo em Altamira — “por mim, eu ficava aqui uns dez dias” — Janaína deixa o Chocolat Xingu 2025 como uma das figuras mais inspiradoras desta edição, lembrando a todos que o chocolate pode — e deve — ir muito além do doce.

“Queria ficar uns 10 dias aqui”. Janaína se despediu do Chocolat Xingu com um gostinho de quero mais.

O Chocolat Xingu 2025 é uma realização da Prefeitura de Altamira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) e da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), em parceria com o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará (Sedap) e com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau). A organização é da MVU Promoções e Eventos, idealizadora do Chocolat Festival. 

O evento conta ainda com a parceria do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e com o apoio da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Sistema Faepa/Senar, da Secretaria da Agricultura Familiar do Pará, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Governo Federal.

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