A vida nas comunidades ribeirinhas do Xingu segue o ritmo do rio. Ele dá o sustento, mas também impõe desafios. Quem sabe bem disso é o pescador Manoel Câmara, morador da comunidade do Porcão há mais de duas décadas. São apenas dez famílias vivendo ali, a cerca de uma hora da sede de Altamira, dependendo da pesca para sobreviver.
“Essa cesta é uma ajuda grande pra gente. A seca pesa demais pro pescador. O peixe some, migra, e muitas vezes a gente passa o dia no rio e não consegue nada. Já é o terceiro ano que o Governo Federal manda, aí a Prefeitura e a Defesa Civil fazem a distribuição. Pra nós, é alimento garantido”, contou seu Manoel.
Ele foi um dos 2.500 beneficiados com a entrega realizada na sexta-feira, 5 de dezembro, no Centro de Eventos Vilmar Soares. Os mantimentos, destinados a ribeirinhos e pescadores, são um suporte direto para as famílias que enfrentaram os impactos das fortes chuvas registradas no início deste ano.
A ribeirinha Socorro Arara, da comunidade Abianã — onde vivem nove famílias, a uma hora e meia de voadeira da cidade — reforça como o auxílio chega num momento decisivo. “Essa cesta vai ajudar muito. Hoje a gente está recebendo essa ajuda humanitária, e isso traz um alívio enorme”, disse.
A ação foi coordenada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública, Mobilidade Urbana e Articulação da Cidadania (Segmuc), por meio da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec). Os recursos foram do Governo do Brasil e do Governo do Pará, liberados após a publicação do Decreto Municipal nº 789, de 21 de maio de 2025, que declarou situação de emergência nas zonas urbana e rural de Altamira.
O decreto foi emitido após a cheia do Rio Xingu e as chuvas intensas classificadas como Desastre Nível II, conforme a Codificação Brasileira de Desastres. Os danos foram significativos: alagamentos na área urbana, estradas vicinais interrompidas e inundações em 15 localidades ribeirinhas, como Ilha do Arara, Ilha da Fazenda, Ilha do Cacau, Ilha do Cajueiro, Ilha do Chicote e Igarapé do Ipixuna. Mais de 4.060 famílias da zona rural foram atingidas, totalizando quase 20 mil pessoas afetadas.
O secretário municipal de Segurança Pública, Adriano Moraes, acompanhou as entregas. “Estamos aqui junto com a Assistência Social, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, garantindo essa ajuda humanitária para quem mais precisa. Com base nos relatórios das enchentes, conseguimos recursos federais e estaduais para mitigar os impactos dos desastres naturais e apoiar nossas comunidades”, explicou.
Os relatórios técnicos da Defesa Civil mostram que muitas famílias ficaram impedidas de pescar, plantar ou acessar serviços essenciais, o que agravou a vulnerabilidade e comprometeu a segurança alimentar de centenas de famílias.
Além da entrega dos mantimentos, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) também ofertou atendimentos médicos, serviços odontológicos e vacinação no local, ampliando o suporte às comunidades.
“A cesta básica é necessária. Infelizmente, a desigualdade no município ainda é grande. Quando a família tem alimentação garantida, ela tem mais condições de seguir em frente”, afirmou Loredan Mello, prefeito de Altamira.















