Altamira transforma cacau em seu maior chamariz turístico: município é um dos mais importantes na cacauicultura

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De olho em um dos setores mais rentáveis da agricultura, Altamira, no Sudoeste do Pará, desponta como celeiro econômico na produção de cacau. Atualmente, as terras do maior município do Brasil fazem brotar, todos os anos, cerca de 6.000 toneladas do fruto. Altamira funciona como polo cacaueiro da região. Os municípios vizinhos Medicilândia (55.900 toneladas), Uruará (17.100 toneladas), Anapu (12.150 toneladas), Placas (10.000 toneladas) e Brasil Novo (7.230 toneladas) completam o ranking no Pará que, por sua vez, responde pela maior fatia do mercado nacional (55%). Os dados são do IBGE.

A cacauicultura paraense é uma verdadeira potência econômica. Em 2021, o Estado movimentou cerca de R$ 2.500.000,00 (dois bilhões e quinhentos milhões de reais), de acordo com levantamento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Como capital da região, Altamira é responsável pelo maior faturamento. Toda a produção do Xingu e Transamazônica passa pelo município. Empresas especializadas ergueram aqui grandes depósitos de onde são despachados milhares de toneladas da amêndoa, parte mais importante para a indústria que exporta para todo o Brasil, além de países como Argentina, Estados Unidos e Chile, principais compradores.

Qualidade aumenta as cifras

Na gigantesca máquina que movimenta a economia mundial, a cacauicultura, sem dúvida, ocupa posição de destaque. Mas, para alcançar números expressivos, não basta apenas plantar e colher. Altamira é um exemplo a ser considerado.

Há três anos, desde que a atual gestão assumiu a Prefeitura, investimentos em profissionalização, novas técnicas e tecnologias fizeram o município despontar. O setor se provou tão importante que estimulou a criação da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri), que lá atrás era reduzida a uma pequena coordenação, sem autonomia e caixa para custear nossas frentes de trabalho.

Marcônio Paiva é quem comanda a Semagri. “As roças estão respondendo, estão com a floração muito boa”, explica o secretário, ao destacar que os produtores são acompanhados e estimulados de perto, a fim de que o resultado gere um fruto de mais qualidade.

Por falar em qualidade, Altamira carrega prêmios pela amêndoa que nasce de um dos frutos mais cobiçados. Um exemplo é a empresa Abelha Cacau, do cardiologista e empresário Antônio Pantoja. No ano passado, comemoração em dose dupla. A empresa foi 2º lugar em cacau intenso (80%), e 1º lugar em chocolate ao leite da Amazônia (60%). As categorias são disputadas no “Chocolat Amazônia”, realizado em Belém, capital do Pará.

A qualidade made in Transamazônica também é premiada internacionalmente. De 2019 a 2023, Medicilândia, Novo Repartimento, Placas, Uruará e outros municípios da região abocanharam premiações em festivais de alto cacife, como o de Paris. Mesmo estando instalados fora do limite geográfico de Altamira, esses municípios contam com apoio da Semagri, informa o secretário Marcônio Paiva. “Nós temos aqui na nossa secretaria o viveiro mais antigo da região. Eu recebo produtores de Uruará, Medicilândia, Repartimento, Pacajá que vêm requerer mudas [de cacau melhoradas]”.

Cacau e chocolate como chamariz para o turismo

Com uma gestão focada em impulsionar a economia cacaueira, Altamira marca mais um feito ao sediar o maior Festival de Chocolate e Cacau, na América Latina. Em 2023, a Prefeitura movimentou, com o evento, mais de 5 milhões de reais em negócios fechados durante 4 dias de encontro. O público ultrapassou a marca de 150.000 visitas, dando a Altamira o merecido posto.

Cidade movimentada significa comércio aquecido em todos os setores. O hoteleiro viu as reservas esgotarem; restaurantes, bares e lanchonetes também tiveram ganhos significativos. Outro saldo do Festival: as vendas de passagens aéreas com destino a Altamira saltaram colocando o município como o mais procurado pelo turista que utiliza avião como meio de transporte, no Pará. O crescimento chegou a 10,2%, de acordo com a Agência Nacional da Aviação (ANAC), número superior ao alcançado pela capital Belém (8,9%) e três vezes maior que Santarém (3,4%), reduto do chamado ‘Caribe brasileiro’.

O crescimento apontado pela ANAC está diretamente ligado ao turismo. Desde que criou a Semtur (Secretaria Municipal de Turismo) para comandar o ramo, Altamira abriu as portas para o visitante. Projetos realizados em parceria com outras pastas, como cultura e esportes, ajudam a movimentar essa engrenagem. Quem empreende no setor comemora a posição alcançada por Altamira.

FOTOS: JÚNIOR SOARES, LEONARDO OLIVEIRA, EL-ELYON MACHADO/ASCOM

Vera Farias, da Xingu Adventure, oferta pacotes de viagens para atrair turistas para Altamira e vê na redução dos preços e o aumento da oferta de voos, novas oportunidades de mercado. “O nosso intuito é trazer turistas pra cá, e os nossos pacotes têm uma procura bem grande, despertam a curiosidade das pessoas que querem conhecer Altamira, e a gente tem passeios bem interessantes dentro da Amazônia, com cachoeiras, trilhas e ainda outros passeios de caiaque no Rio Xingu. Muita gente de fora nos procura e esse turismo de aventura só tem a crescer dentro do nosso município”, afirma a empreendedora.

Sob gerência da Aena (empresa espanhola de aviação) desde o ano passado, o aeroporto do município ampliou os voos e investe em infraestrutura para melhorar o atendimento ao viajante. “Consideramos Altamira como um dos importantes destinos da região Norte. Atualmente, o aeroporto oferta três voos para a capital paraense. Nosso objetivo é oferecer uma infraestrutura capaz de atender mais passageiros por ano, garantindo a todos os clientes e companhias aéreas os mais altos padrões de qualidade, segurança e serviço. Queremos que os passageiros tenham uma experiência completa de viagem, seguindo os padrões de conforto, segurança e modernidade da concessionária”, destacou Sânzio Silva, diretor do aeroporto de Altamira.

Siga a rota do cacau e venha para Altamira

Criar caminhos para levar o turista a uma viagem enriquecedora, repleta de conhecimento e paisagens exuberantes. Essa é a aposta de Altamira com a criação da ‘Rota do Cacau ao Chocolate’. O projeto mapeou as fábricas e fazendas produtoras de cacau. Além de Altamira, o mapeamento contempla outros municípios da região TransXingu.

Altamira se torna pioneira no Norte, e, além disso, se apresenta como polo articulador, já que inclui municípios vizinhos, reforçando a necessidade de defender a marca não apenas para si, mas para toda a região que concentra a maior produção de cacau do País. É o caso da proprietária da Cacau Xingu, do município de Brasil Novo, Jiovana Lunelli. Ela trabalha com chocolate a partir da produção de cacau orgânico certificado.

A Rota vai possibilitar que, além de conhecer o plantio e a fabricação, o turista tenha acesso a um produto 100% livre de defensivos agrícolas. “O apoio que a gestão nos dá é muito importante, uma visão inovadora de algo que já existe desde a década de 70, mas ninguém despertava, algo fundamental para o desenvolvimento do Xingu e da Transamazônica. Isso mostra para o Brasil e para o mundo que aqui tem excelentes empreendedores, que aqui se tem cacau de qualidade, que aqui também se produz chocolate de qualidade”, comemora Jiovana.

Criada pela Prefeitura de Altamira com apoio de prefeituras da região, e destaque do evento, a ‘Rota Turística do Cacau ao Chocolate’ tem um mapa exclusivo, uma ferramenta indispensável para os visitantes que desejam explorar as fábricas e pontos de produção de chocolate na Região Xingu e Transamazônica. O projeto tem parceria de iniciativas como Viverde Amazônia e Xingu Adventure.

“A Rota do Cacau ao Chocolate tem o objetivo de oferecer para os visitantes do Brasil e do mundo, uma rota definida. Visitamos produtores, catalogamos produtos, verificamos quem gostaria de fazer parte desse projeto, pegamos produtos que já existiam, mas estavam desconectados, conectamos, criamos embalagem, tudo para que o turista possa conhecer a delícia e o acolhimento da Transamazônica e ver o chocolate de qualidade que está sendo produzido naquela região”, afirma o prefeito de Altamira, Claudomiro Gomes.

Com sucesso de público e boa repercussão, a rota foi lançada em Altamira e também na capital Belém. Os eventos tiveram grande repercussão nas mídias tradicional e online. Para ter acesso ao conteúdo oferecemos duas opções:

Mais motivos para conhecer Altamira

Cercada pelo exuberante rio Xingu, Altamira é um verdadeiro deleite para o visitante e proporciona experiências únicas. De igarapés a cachoeiras, de orla contemplativa a passeios em trilhas, o maior município do Brasil tem opções para todos os gostos. Dá para chegar ao município por barco (com partida e chegada em Vitória do Xingu, município vizinho) e, a forma mais utilizada, por estrada, através da BR-230, a Transamazônica. Para mais informações sobre Altamira e suas belezas naturais, acesse www.altamira.pa.gov.br, www.maisaltamira.com.br e nosso perfil nas redes sociais, em @altamiraprefeitura

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